Archive for the 'texto' Category

19
jun
13

o meu, o seu, o nosso

Essas manfestações que tem acontecido pelo Brasil todo nas últimas semanas são de fato espetaculares, no sentido amplo e estrito. Elas reconectam o povo as ruas!

Transporte Público em São Paulo é sucateado e caro.
Muita gente que frequenta a “lata de sardinha” aguentou quieto por muito tempo.
Por outro lado quem não anda de bus-trem-metro anda de carro e vive preso em engarrafamentos colossais. Somos geridos por uma política automobilística que leva mais e mais carros às ruas ao invés de melhorar as condições dos meios de transportes coletivos.

Nesse contexto a galera do Movimento Passe Livre (MPL), que vem se articulando faz tempo, pensando possibilidades e formas de viabilização, cansou e aproveitou o aumento da tarifa do transporte para mobilizar a população e tentar um diálogo com os responsáveis para mudar a situação.

Sendo o transporte um fator comum a todos os cidadãos (independente de credo, etnia ou partido político) a adesão às manifestações foi enorme e continua a aumentar mais e mais.

Dito isso e visto que o MPL é construído com inteligência coletiva, não centralizadora, não partidária e democrática, cresceu no contexto das manifestações as proposições individuais de cada participante. A pauta transporte virou o estopim para uma série de outras questões que também incomodavam, mas que antes não tinha uma forma clara de exteriorização.

Na esfera do eu, é muito difícil falar da legitimidade de tudo isso, porque cada um sabe a dor e a delícia de ser quem é, sabe o esforço que faz para ter o que tem e vê a papagaiada que rola na política brasileira.
Nas manifestações a insatisfação pessoal achou uma forma de se expor: indo pra rua com cartazes, ideias e atitudes.
Com certeza é super válido tudo isso, todos têm suas insatisfações e devem lutar pelas suas resoluções!

A questão é que vivemos numa democracia, onde as coisas são decididas em maioria. Isso põe que só ir pra rua não resolve nada, você precisa conversar com seus próximos, se juntar em coletivos, cooperativas e afins para que formem-se grupos pelas suas pautas, ou você pode aderir a movimentos já existentes.
Cada grupo deve ter seus documentos, pautas, questões pensados, redigidos e publicados de forma que outras pessoas possam entender e aderir as ideias.
Assim saímos da ditadura do eu e construímos uma proposição coletiva.

No exercício da coletividade a ditadura do eu só torna o mundo mais opressor. Deixa as diferenças econômicas, sociais e estruturais mais visíveis, aniquilando os de baixo, esmagando os do meio e fortalecendo os manipuladores.
A questão é temos que pensar como um todo, que mora em um mesmo espaço e que divide a rua seja ela ideológica, física ou emocional.

Vamos pra rua sim, vamos nos manifestar sim, mas precisamos também organizar as nossas ideias, nos mobilizarmos em grupos, para que como o MPL possamos fazer nossas proposições e conseguir adesão da sociedade como um todo.

Digo isso porque estou muito preocupada com o andar da política brasileira;
a corrupção comendo solta;
os favores eleitorais que advém de campanhas financiadas de forma não explícita;
a questão dos lobbys no legislativo, executivo e judiciário;
de ações oportunistas de presidentes de comissões que ferem os direitos humanos e tratam como doença a sexualidade alheia;
da falta de um estado laico que trata a partir de crenças fatores humanos;
de um grande evento esportivo que esta para acontecer a que muito dinheiro se destina ao invés de investir na necessidade básica do povo, como educação e saúde;
de problemas entre a classe médica e os planos de saúde que ferem os direitos dos doentes…
dentre tantas outras coisas que a mim incomodam, mas que se não tomo atitude no coletivo são apenas ideias jogadas ao vento, imposições da minha própria ditadura.

Para mim as pautas elencadas são algumas dentre tantas outras que merecem nosso pensamento crítico, nosso acompanhamento e nossa articulação enquanto coletivo, não apenas frases soltas pelas ruas.
Por isso fica aqui um convite para o diálogo, para a construção coletiva de pautas para serem transformadas e transformadoras, uma após a outra, num processo de construção do alicerce para os andares, camada por camada.

Porque se perdermos o foco nem os 20 centavos (que foi o aumento da passagem de transporte público em SP) a gente consegue reduzir. E mesmo este ponto é só a ponta do iceberg na questão dos transportes.

Vamos juntos debater, articular e propor mudanças.
Este país é rico, nós estamos ligados e vamos sim mudar o que nós incomoda, um passo de cada vez!

Anúncios
02
mar
11

Pensando a urbanidade do ser

Materia da 4° ed da Revista Ou Não. 🙂

“A arte e a filosofia são viscerais ao SER Urbano, como são as sociedades saudáveis.˜


stencil Adoniran Barbosa por Nutz e graffiti de carroceiro por Mundano

acesse o link: http://www.readoz.com/publication/read?i=1033031#page6

26
dez
08

terrorismo poético

fonte: youtube

07
nov
08

+ Saul Steinberg: Citações criativas

Questions are fiction, and answers are anything from more fiction to science-fiction.

I think, therefore Descartes exists.

Doodling is the brooding of the hand.

The frightening thought that what you draw may became a building makes for reasoned lines.

The life of the creative man is led, directed and controlled by boredom.

24
maio
08

Sinto pensar que o tempo corre

“Sinto pensar que o tempo corre, penso em querer a noite que foge
Amo o saber sem pensar, gosto do sabor da uva e o amargo da semente. Hoje o sol me esquente e aquece todo o mundo de uma forma especial… Meu mundo é o humano que me cerca e sinto que não quero expandir de novo, mas não posso evitar… É o infinito em expansão. Sou o universo, que vive em mim o tempo todo. Mas às vezes cala por tempo demais e, quando ressurge explode.. sem aviso ou sem possibilidade de prevenção. Quero que o dia nasça de novo e sempre, pois em mim o que mais gosto é o sol… embora a lua seja minha companheira e regente… eu sou a lua e suas fases… mas a explosão não chega… se avizinha… mostra os dentes e não vem… cadê a catarse? Cadê o cataclisma? eu me alimento de meus próprios furacões, meus tremores internos…Anseio pelo tombo final , o fim para enfim ser começo e tornar a ser novo de novo mais uma vez e a necessidade de ver sempre o novo mesmo que velho…”
Carol Autran.