Archive for the 'Teatro' Category

26
fev
11

Burger King

Adaptação da obra do dramaturgo Richard Maxwell, Burger King é uma peça sombria que retrata o processo de alienação mental dos funcionários de um rede de lanchonetes. Despojados de consciência crítica, os funcionários não questionam a jornada desumana de trabalho. Com uma postura impensada, eles acatam passivamente as condições degradantes de trabalho.

Dirigida por Roberto Alvim, Burger King também denuncia a mecanização dos funcionários. Privados de atitude reflexiva, eles são automatizados pelo programa mecânico de trabalho. Reduzidos ao papel de peças de engrenagem, eles agem segundo padrões maquinais de comportamento. Não percebem que operam conforme o funcionamento coordenado e repetitivo da lanchonete.

Por causa do sistema mecânico de trabalho que subjuga a vontade livre e espontânea, os funcionários acabam destituídos de subjetividade. A formação de identidades é esmagada pela rotina opressiva da lanchonete. Sem autonomia para construir o eu individual, os funcionários são despersonalizados pelo ambiente massacrante da lanchonete. Tornam-se uma massa amorfa e acrítica de seres inanimados e indiferenciados.

Burger King
Direção: Roberto Alvim
Texto: Richard Maxwell
Classificação etária: 16 anos
Duração: 45 minutos

24
fev
11

Concerto de Ispinho e Fulô

Vencedor do Premio Shell 2009 na categoria música, o Concerto de Ispinho e Fulô é uma homenagem musical ao poeta Patativa do Assaré. Sob a batuta do diretor Rogério Tarifa, a Companhia do Tijolo celebra a vida e a obra de um roçeiro que retratou liricamente a miséria da vida sertaneja. Poeta da oralidade, Patativa denunciou as agruras do povo nordestino que sofreu tanto com a aridez da terra do sertão quanto com a secura de alma dos governantes.

Com um tom reverente, o espetáculo musical enaltece o universalismo poético de Patativa. Apesar do provincianismo de Patativa cujo mundo era o cenário agreste e estio de Assaré, as suas poesias não são delimitadas pelo regionalismo sertanejo. Pelo contrário, os seus versos extrapolam as fronteiras territoriais. As suas rimas ecoam tanto na alma do vaqueiro sertanejo quanto na alma do executivo urbano.

Rompendo com a rigidez da ordem cronológica, o Concerto de Ispinho e Fulô escapa da previsibilidade da narrativa linear. Ao invés do didatismo biográfico, a trajetória de Patativa é transmitida de maneira assimétrica e fragmentada. O que importa é resgatar o trovadorismo de Patativa através de canções que ilustram a sonoridade sertaneja dos seus poemas. Por meio de versos ritmados, os espectadores são convidados a mergulhar no universo repentista e cordelista do poeta nordestino.

Concerto de Ispinho e Fulô
Direção: Rogério Tarifa
Texto: Companhia do Tijolo
Classificação etária: 14 anos
Duração: 120 minutos

15
fev
11

Tempo em Marcha Para Zenturo

Fruto da união criativa de dois coletivos cênicos que valorizam o discurso autoral, Marcha Para Zenturo apresenta o tempo como um movimento contínuo de diluição. A peça – produzida pelos paulistas do Grupo XIX e pelos mineiros da Companhia Espanca! – expõe o processo de liquefação causado pelo tempo. A ação implacável do tempo é mostrada como um fluxo permanente de dissolução.

Ambientada em uma sociedade futurista (2441), Marcha Para Zenturo retrata um mundo marchando ininterruptamente para o degelo. O cenário carregado de gelo é uma metáfora do derretimento das bases sólidas que edificam o mundo. Assim como o gelo do palco é lentamente diluído, assim também os pilares concretos do nosso mundo foram vagarosamente dissolvidos. Um exemplo é a liquefação do peso da religião cristã sobre a cultura ocidental. Agora o crucifixo não passa de um objeto decorativo encontrado em antiquários.

A temática do tempo também aparece nos diálogos desencontrados. A sociedade de Marcha Para Zenturo é caracterizada pela desordem lingüística. Em vez de falas alinhadas, a comunicação entre as pessoas é totalmente dessincronizada. Por causa do caos verbal, o tempo não representa mais a soma de passado, presente e futuro. O tempo é concebido como uma dimensão da consciência: um modo pessoal e subjetivo de habitar o presente retendo o passado e antecipando o futuro. Ao invés de um instante entre o antes e o depois, o tempo é um movimento do espírito que unifica passado, presente e futuro.

Marcha Para Zenturo
Direção: Luiz Fernando Marques
Texto: Grace Passô
Classificação etária: 14 anos
Duração: 90 minutos

05
dez
08

Viva Malasartes! – por WOUSKA

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Que agradável surpresa, hoje dia 05 de Dezembro de 2008, às 16h  no Largo Santa Cecília.

Encontrei, o feliz teatro de rua…

 “Viva Malasartes!” –  do Centro de Pesquisa para o Teatro de Rua – Rubens Brito

Viva o Teatro!!!

Para quem quer ver , Domingo dia 07 de Dezembro tem repeteco no Largo Santa Cecília, começa às 13:00h.

Mais informações: www.nucleopavanelli.com.br