Archive for the 'não tempo' Category

15
fev
11

Tempo em Marcha Para Zenturo

Fruto da união criativa de dois coletivos cênicos que valorizam o discurso autoral, Marcha Para Zenturo apresenta o tempo como um movimento contínuo de diluição. A peça – produzida pelos paulistas do Grupo XIX e pelos mineiros da Companhia Espanca! – expõe o processo de liquefação causado pelo tempo. A ação implacável do tempo é mostrada como um fluxo permanente de dissolução.

Ambientada em uma sociedade futurista (2441), Marcha Para Zenturo retrata um mundo marchando ininterruptamente para o degelo. O cenário carregado de gelo é uma metáfora do derretimento das bases sólidas que edificam o mundo. Assim como o gelo do palco é lentamente diluído, assim também os pilares concretos do nosso mundo foram vagarosamente dissolvidos. Um exemplo é a liquefação do peso da religião cristã sobre a cultura ocidental. Agora o crucifixo não passa de um objeto decorativo encontrado em antiquários.

A temática do tempo também aparece nos diálogos desencontrados. A sociedade de Marcha Para Zenturo é caracterizada pela desordem lingüística. Em vez de falas alinhadas, a comunicação entre as pessoas é totalmente dessincronizada. Por causa do caos verbal, o tempo não representa mais a soma de passado, presente e futuro. O tempo é concebido como uma dimensão da consciência: um modo pessoal e subjetivo de habitar o presente retendo o passado e antecipando o futuro. Ao invés de um instante entre o antes e o depois, o tempo é um movimento do espírito que unifica passado, presente e futuro.

Marcha Para Zenturo
Direção: Luiz Fernando Marques
Texto: Grace Passô
Classificação etária: 14 anos
Duração: 90 minutos

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09
jun
10

O Tempo Para O Morador de Rua

Será que existe tempo para um desgraçado que vive em ruas soturnas em condições animalescas? O que importa o tempo para um homem despedaçado pelos golpes impiedosos da existência sórdida e pérfida? Esmagado pelo peso brutal do universo moralmente indiferente, o tempo para um mendigo não passa de uma invenção humana. Livre da imposição do tique-taque do relógio, ele escarnece dos cidadãos que vivem sob a ditadura do cronômetro. Não existe de horas, minutos e segundos; o que existe é a obstinação louvável de sobreviver em uma sociedade desalmada que o despreza como ser humano.

16
abr
10

Tempo Niilista

“De que modo existem esses dois tempos – passado e futuro – uma vez que o passado não mais existe e o futuro ainda não existe? E quanto ao presente, se permanecesse sempre presente e não se tornasse passado, seria eternidade e não mais tempo. Portanto, se o presente para ser tempo deve tornar-se passado, como poderíamos dizer que existe uma vez que a sua razão de ser é a mesma pela qual deixará de existir?(Confissões, Agostinho, Livro XI, Capítulo 14).”

O que é o tempo niilista? Um puro nada. Um nada entre dois nadas. Ora, o passado não é, o presente não é, o futuro não é. O passado não é nada uma vez que deixou de existir; o futuro não é nada uma vez que nunca existiu; o presente não é nada porque é o mero intervalo entre dois nadas. Como não existem nem o passado, nem o presente, nem o futuro, o tempo também não existe. Sendo constituído por um instante sem duração (presente) limitado por dois nadas (passado e futuro), o tempo não passa de uma nadificação perpétua de tudo.

14
abr
10

Tempo em Cecília Meireles

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida a minha face?

Ninguém escapa da corrupção do tempo. Contrário ao processo de geração que é um ato criativo, o processo de corrupção é um ato destrutivo. Trata-se de um movimento contínuo de degradação. Sendo um mecanismo de decomposição, a corrupção é uma alteração retrocessiva. A sua mudança incessante implica em involução e não em evolução. Em vez de progresso, o efeito da corrupção é o retrogresso. Isso significa que somos seres em constante retrogradação. Por causa da deterioração ininterrupta, só podemos avançar em direção à morte.

Em vista do apodrecimento causado pela corrupção, como lidar com o declínio físico inescapável? como conviver com a espada do definhamento corpóreo pendendo sobre as nossas cabeças? Embora não possamos irromper os grilhões da degenerescência, não necessitamos assistir passivamente ao nosso agoniante processo de putrefação. Reconhecendo a inevitabilidade da morte, a efemeridade da vida, a transitoriedade da juventude e a celeridade do tempo, confrontaremos lucidamente o nosso desgaste corpóreo diante do espelho. Por intermédio do violento despertar da nossa consciência para a finitude humana, estaremos preparados para a chegada da ruína física.

 

Recado: Visitem o meu humilde blog: http://rafadivino.wordpress.com/

24
mar
10

O que é o tempo?

Afinal, o que é o tempo? Se ninguém pergunta, eu sei;
mas se alguém me pergunta e eu quero explicar, já não sei.
Santo Agostinho
A problemática do tempo sempre alimentou as reflexões filosóficas. Definir o conceito de tempo é um desafio aporético porque culmina em um circulo lógico. Como definir o tempo sem fazer referência ao tempo? Como explicar a idéia de tempo sem empregar idéias que supõem a idéia de tempo? Parece que o conceito de tempo implica em conceitos que dependem do conceito de tempo.

–  O tempo é uma época histórica determinada;
–  O tempo é um período delimitado por um evento anterior e um evento posterior;
–  O tempo é um ciclo eterno de eventos repetitivos;
–  O tempo é o instante entre o antes e o depois;
–  O tempo é a soma do passado, presente e futuro;
–  O tempo é a perduração do presente;
–  O tempo é o perpétuo agora;
–  O tempo é a medida da mudança;
–  O tempo é o movimento irreversível que transforma o presente em passado e o futuro em presente;
–  O tempo é o fluxo contínuo dos entes em alteridade permanente;
–  O tempo é uma extensão da alma;
–  O tempo é uma intuição do devir;
–  O tempo é uma duração da consciência;
–  O tempo é uma corrente infinita de vivências.

22
mar
10

Would you erase me?

Filme : Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Direção: Michel Gondry
Roteiro: Charlie Kaufman, Michel Gondry and Pierre Bismuth
Origem: USA
Duração: 108 min
Ano: 2004

17
mar
10

The end is only the beginning

Filme : The Butterfly Effect
Direção: Eric Bress / J. Mackye Gruber
Roteiro: J. Mackye Gruber & Eric Bress
Origem: USA
Duração: 113 min
Ano: 2004