22
jun
11

[+zero] vídeo macumba

vídeo macumba resposta ao prêmio pipa 2011: mapeando o terreno arenoso com pai profeta e pai joão

Refletiu a Luz Divina, com todo seu esplendor; Vem do Reino de Oxalá, Onde há paz e amor; Luz que refletiu na Terra, Luz que refletiu no Mar; Luz que veio de Aruanda, Para tudo iluminar; A Umbanda é paz e amor; É um mundo cheio de Luz; É força que nos da vida; E a grandeza nos conduz; Avante Filhos de fé, Com a nossa Lei não há; *Levando ao mundo inteiro, A Bandeira de Oxalá.

video macumba resposta as questões:
1. vocês acreditam que a obra de arte pode ser uma BOMBA de cultura?
2. o que este prêmio pode significar para vossas carreiras?

Em primeiro lugar necessitamos mapear o terreno que iremos usar como pavimento. Tal terreno divide-se em dois campos: O da bomba e o da cultura. Iniciaremos nossa preleção pelo mais arenoso:
A cultura, que em sua forma contemporânea ocidental divide-se em três ramos: A imaginação marginalizada pela sociedade, o pensamento conceitual hermético e o pensamento conceitual barato, onde encontramos os vigaristas da arte: críticos, galeristas, curadores e os próprios artistas, que pretendem estabelecer neste segmento de atividade humana o império grotesco do trabalho profissional.
A história da cultura não é série de progressos, mas dança em torno do concreto. No decorrer de tal dança – atividade lúdica, de jogo, e não de labor, trabalho – tornou-se mais difícil, paradoxalmente, o retorno para o concreto.
A arte não pode ser categorizada enquanto trabalho, ou profissionalismo, mas somente como jogo livre e lúdico, já que a arte é a maior, mais livre e indefinida forma de expressão, práxis e contemplação do jogar humano, servindo de modelo para todo o arquitetar que a linguagem e o pensamento formalizam e materializam.
O homem é ser imerso em cultura, em processo de cultivo insaciável. Está na essência humana não aceitar a simples realidade natural, pois esta não é familiar ao homem. É o jogo com a arte, e não o trabalho, que aproxima a natureza do homem, permitindo a ele, pela cultura, colocar em jogo a realidade, desprendendo-a da natureza.
Nasce do jogo uma nova espécie de ser, essencialmente livre, através do qual o jogador pode manipular desimpedidamente as coisas. A cultura é um produto da agricultura. É ela um colher das coisas arrancadas da natureza.
O homem, enquanto ser de cultura, empreende o processo civilizatório através do ato de arrancar – colher – as coisas da natureza e aproximá-las de seu mundo, marcado pela troca simbólica.
A cultura constitui-se por processos que o homem criou – e continua criando – para tornar o mundo e seus fenômenos compreensíveis, seja por rituais de magia – arte – ou por rituais de racionalidade – ciência.
Mapeado o arenoso terreno da cultura, adiante vamos em direção ao da bomba. Tomaremos bomba em seu sentido hidrogenístico, ou seja, fabricada a partir do elemento hidrogênio, de hidro + gênio, o elemento menos denso da tabela periódica.
O hidrogênio, neste caso, está a serviço da devastação. Devemos cultivar o que é em essência bom e promissor, e não o espírito ganancioso, como o dos artistas enfiados em confortáveis buracos quentes.
Tal constatação mostra que a bomba da arte está a serviço da aniquilação do belo cultivo cultural pela formação de antros que se dedicam a confecção das bobagens que vislumbramos no campo contemporâneo da arte.
O artista deixou de ser um propositor, uma pessoa culta, para simplesmente experimentar coisas, procedimento que visa o abandono da racionalidade em direção a pura estupidez, decorrente de leituras absolutamente equivocadas dos preceitos fenomenológicos de Heidegger. A bomba da arte devasta a cultura e por isso preferimos as bombas de chocolate.
Retomemos a problemática do buraco quente, com mais rigor. Isto nos leva a questão do significado do sucesso na carreira da arte.
SIGNIFICAR PRIMEIRAMENTE É UM TERMO PESADO. O PRÊMIO SOZINHO SÓ SIGNIFICA O TANTO QUANTO ESPERAMOS QUE ELE SIGNIFIQUE ALGO. ALTERNATIVAMENTE ACREDITAMOS QUE O PRÊMIO RESULTARÁ EM CERTOS CENÁRIOS QUE NOS AGRADA MUITISSIMO.
POR NAO POSSUIRMOS UMA FORMA CORPORAL DEFINIDA OS PRAZERES DO SUCESSO SÃO CERTAMENTE AGRADAVEIS. NOSSA INTENÇÃO É SEGUIR O LUGAR COMUM DO ARTISTA CONTEMPORANEO QUE É, CONHECIDAMENTE, O DO PATOTISMO.
PATOTISMO É ALGO QUE CONHECEMOS BEM PORÉM NAO TIVEMOS AINDA O PRAZER DE EXPERIMENTAR. SE O PRÊMIO REALMENTE SIGNIFICAR ALGO ELE SIGNIFICARÁ, PARA AQUELES QUE NOS ACOMPANHAM PELO MENOS, A QUALIDADE DE MEMBRO DE PATOTAGEM.
COMO MEMBROS DA PATOTAGEM ESPERAMOS PRIMEIRAMENTE ABANDONAR TODA E QUALQUER ATIVIDADE DENOMINADA COMO TRABALHO. NOSSAS MÃOS CALEJADAS NÃO AGUENTAM MAIS A COISA TRABALHO.
ESPERAMOS COM O PATOTISMO CERTOS PRAZERES CARNAIS, DENTRE OS QUAIS ESTÃO: O DEGUSTAR DO DINHEIRO PUBLICO E AINDA ASSIM RECLAMAR DO MESMO, PUBLICAR PENSAMENTOS DIGNOS DE BANHEIROS PUBLICOS, DAR BANHO DE CHAMPGNE CARO EM PUTA POBRE, CONSUMIR TODO TIPO DE CANAPÉS EM VERNISAGES COM PESSOAS QUE ODIAMOS E ETC…TUDO ISSO COM UM SORRISO DE PRAZER QUE SOH O PATOTISMO PROPORCIONA.
COMO O POUCO QUE NOS RESTAVA DE DIGNIDADE SE ESVAZIOU ASSIM QUE NOS ENVOLVEMOS NESTA COISA CHAMADA ARTE, IMPLORAMOS ENCARECIDAMENTE DE JOELHOS SEU VOTO DE CLEMENCIA NESTA COMPETIÇÃO DA PATOTA. APENAS DESTE MODO, COM A INSERÇÃO DESTAS ENTIDADES NO PATOTISMO O PRÊMIO SIGNIFICARÁ ALGO.

www.maiszero.org

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