02
dez
10

tudo que é sólido desmancha no ar

O que é a modernidade? Um programa racionalista? Um projeto iluminista? Um período otimista? Uma era cientificista? Uma visão progressista? Um ideário desenvolvimentista? Ou uma utopia positivista? Marshall Berman defende a modernidade como um conjunto de experiências paradoxais compartilhadas universalmente por homens e mulheres. Para Berman, as experiências constitutivas da modernidade são caracterizadas pela perpétua contradição. Aparecem como um fluxo ininterrupto de construção e destruição, um movimento incessante de surgimento e desaparecimento ou um turbilhão permanente de integração e desintegração.

Segundo Berman, ser moderno é viver sob o signo do paradoxo perene. O homem moderno vivencia a ambigüidade do redemoinho de constantes transições e freqüentes sucessões. O seu coração carrega a esperança de transformação e o terror da aniquilação. Ele é movido ao mesmo tempo por um espirito revolucionário e por um ímpeto conservador. Apesar de buscar a imprevisibilidade do novo, ele valoriza a estabilidade do antigo. Embora almeje o caos da vanguarda, ele prefere a ordem da tradição.

Na concepção de Berman, a contradição do homem moderno decorre do cenário antagônico. Ele vive em um ambiente polarizado onde tudo parece impregnado do seu contrário. As inovações científicas geraram devastações ecológicas, os avanços tecnológicos geraram extermínios covardes, a explosão demográfica gerou catástrofes urbanas, a prosperidade econômica gerou desigualdades sociais e as descobertas médicas geraram rincões de miséria.

Por isso, Berman afirma que viver a modernidade é enfrentar o perigo do desconhecido. Uma vez que o território da modernidade é instável, incerto e inseguro, ninguém escapa do risco da novidade. Sem bases concretas para edificar a sua existência, o homem moderno encarna o desafio de viver em uma realidade onde tudo é transitório e fugidio. Aceita a aventura de existir em um mundo onde tudo que é sólido desmancha no ar.

veja mais em:

ser moderno é viver uma vida de paradoxo e contradição

ser moderno é autotransformação e autodestruição

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