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10

suíte dadá

Suíte Dadá ou do Acaso

Lidar com o tempo implica em teimar com o imprevisível. Uma ação programada diz tanto do seu passado quanto do seu presente, o futuro é projetado. A imagem técnica e suas possibilidades recém-estabilizadas nas décadas de 10 e 20 proporcionaram uma objetificação das relações existenciais, criando um novo jogo que tem como tabuleiro uma arena de linguagem. A criação dessas imagens se dá como atividade lúdica, para a qual a magia vem servir de recompensa ao emissor e/ou ao receptor dessa informação visual.

Escolhemos as palavras das quatro primeiras páginas e das cinco últimas dos ensaios da Filosofia da Caixa Preta, de Vilém Flüsser, para debulhá-las uma a uma, a fim de (des)tecer essa trama esclarecedora sobre a fotografia e compor uma poesia visual.

Por acaso ou não, dada, em francês, significa cavalo de brinquedo. A palavra parece se adequar com facilidade à idéia pueril pela qual as obras dadaístas se (in)definem. A visualização de um mundo desorganizado e instantâneo, a fragmentação e, acima de tudo, o hermetismo das idéias aleatórias conseguiram produzir imagens com alguma sensibilidade e ao mesmo tempo criticar com humor e inteligência crítica o sistema da arte da década de 20 e toda a modernidade adiante.

Em Anémic Cinéma, de 1926, de Marcel Duchamp, a questão da imagem pode ser discutida como uma revisão do continente que comporta informações visuais em contraponto com o conteúdo que é apresentado: um palíndromo em frente ao espelho. Uma abstração que se apresenta como metonímia, tal qual Hans Richter, com seu Filmstudie, também de 1926.

Procuramos exibir este espírito em Suíte Dadá, ao nos apropriarmos de Flüsser para criar formas geométricas que nadam nessa arena molhada, em que uma narrativa extemporânea acontece, como se estivesse pronta antes mesmo de começar, através dos termos da criação aleatória.

As músicas escolhidas também expressam esta dinâmica: Music for Marcel Duchamp, de John Cage; Walking Song, de Meredith Monk; e Kontra-Punkte Op. 1, For 10 Instruments, de Karlheinz Stockhausen.
Não há sentido em chamar este estudo de dadaísta, pois vanguardas tiveram seu tempo e espaço. Suíte Dada, enfim, é uma obra contemporânea sobre o território da palavra como discurso visual apenas, restando a ela a falta de sentido e uma estética temporária, emprestadas desta vanguarda caótica.

Marina Pachecco & Pedro Victor Brandão
Novembro, 2007

fonte: youtube

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ver também: anémic cinéma

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