Arquivo para setembro \23\-03:00 2010



23
set
10

Ser Humano: Piedade

Além do desejo inato de conservação, Rousseau afirma que o homem carrega também uma virtude natural que o torna um ser compassivo e sensível. Trata-se da piedade que consiste na repugnância inata de ver sofrer ou perecer o seu semelhante. Este impulso interior de comiseração é fundamental no processo de socialização na medida em que produz um movimento natural de empatia com a dor do semelhante. Ou seja, a piedade gera sociabilidade porque exige que o homem considere a desgraça alheia.

Para Rousseau, a piedade é um sentimento natural que concorre para a preservação da humanidade na medida em que estabelece um limite ao amor de si. Ao moderar a disposição inata de conservação, a piedade garante que a espécie humana não seja formada unicamente para a destruição. Isto é, uma vez que o homem é originalmente indulgente, ele naturalmente prestará socorro quando presenciar um semelhante em perigo. Ora, para que haja comoção com o infortúnio do seu semelhante, é preciso que o homem esqueça o seu ser para assumir o ser do seu semelhante. E para que haja identificação com a desventura do seu semelhante, ele deve abandonar o amor de si. Sem deixar o amor de si, ele não pode colocar-se no lugar daquele que sofre.

Em cima disso, Rousseau afirma que a piedade é um princípio natural que precede a reflexão. Trata-se de uma paixão primitiva que é anterior ao pensamento. Ou seja, ela não depende da atividade racional para ser efetivada. Ora, o homem natural não precisa recorrer ao exercício intelectual para auxiliar um semelhante em aflição. A sua solidariedade com a dor do seu semelhante é fruto de um impulso natural e não de uma especulação abstrata. Isso significa que a piedade está inscrita na esfera biológica. Ela pertence aos homens enquanto seres dos sentidos e não como seres racionais.

Com isso, Rousseau demonstra que a indiferença provém do estado de raciocíno. Ela é produto da deliberação. Basta que o homem pondere sobre as alternativas possíveis para que a inclinação natural da comiseração ceda lugar ao descaso. Em vez de entregar-se ao impulso original da compaixão como o homem natural, o homem socializado prefere contemplar impavidamente a degola do seu semelhante sob a sua janela. Logo, podemos concluir que a indiferença nasce do esforço civilizatório cujo efeito é o apagamento da sensibilidade originária.

Por fim, Rousseau enaltece a piedade como a base constitutiva de todas as virtudes sociais. Ora, o que é a generosidade senão a piedade aplicada aos oprimidos, a clemência senão a piedade aplicada aos culpados e a humanidade senão a piedade aplicada à espécie humana? Por suavizar a ação do amor de si, a piedade ocupa o lugar das leis, dos costumes e da virtude no estado de natureza. Além disso, ao promover a noção de semelhança em relação aos demais seres humanos, a piedade permite que o homem saia de si mesmo para atender as necessidades daquele que padece.

22
set
10

astrid não faz, astrid hage

21
set
10

Ser Humano: Amor de Si

Rousseau não atribuiu ao homem apenas as faculdades inatas da liberdade e da perfectibilidade. Ao considerar as operações primitivas da alma humana, ele encontrou dois princípios naturais anteriores à razão: o instinto de conservação que prende o homem a si mesmo e a piedade que prende o homem ao outro. O instinto de conservação é pautado pelo amor de si. Trata-se de um sentimento natural que impele o homem a preservar a sua própria vida e a assegurar o seu próprio bem-estar. Ou seja, o amor de si é uma paixão primitiva que tem por função o zelo pela própria existência através da busca de condições de subsistência.

Segundo Rousseau, não existe perversidade original no coração humano. No estado de natureza, o homem é isento de vícios – as depravações decorrem dos conflitos de interesse do contexto social. A única paixão natural ao homem é o amor de si que garante a manutenção da vida. Este impulso inato responsável pelos cuidados relativos à sobrevivência fica saciado quando as necessidades básicas são satisfeitas. Ademais, ao contrário de Hobbes que acentua que o instinto de conservação implica na guerra de todos contra todos, Rousseau alega que o homem natural não precisa lutar com os seus semelhantes para defender a sua vida. Ao invés da ferocidade natural, ele preserva a sua vida sem prejudicar os outros.

Uma vez que o amor de si é intrinsecamente bom, Rousseau afirma que ele é a fonte natural de todas as virtudes. As paixões primitivas que são amáveis e doces por essência derivam do amor de si. Não obstante, a convivência social acaba deturpando o amor de si. Com o surgimento da sociedade, o homem passa a centralizar o seu eu individual nas relações sociais. Motivado pelo desejo doentio de honra e distinção, ele acolhe como uma ofensa todo ato que não prefere ou privilegia a sua pessoa. 

Assim, o ingresso do homem na vida civil perverte o amor de si em amor-próprio que consiste no desejo agressivo de controlar os outros. Por causa do amor-próprio, o homem tomado pela vaidade passa a reivindicar superioridade sobre o outro, a exercer um poder arbitrário sobre o outro, a impor submissão ao outro e a desejar a ignomínia do outro. Ao atribuir extrema importância ao seu ego, o homem da sociedade acaba subestimando e depreciando os outros em comparação à sua própria pessoa. Movido pelo orgulho do amor-próprio cuja fruição é puramente negativa, ele não procura a sua satisfação para o seu próprio bem, mas para o mal dos outros.

20
set
10

DéBuT

ExpressãO

O GriTO

E Eu Quero SER-

TUDO q Eu AchO BoniTO!

19
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carlos garaicoa

artista cubano nascido em 1967.

18
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Secos & Molhados

Sangue Latino / O Vira (TV Tupi, 1973)

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jörg sasse

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