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Ser Humano: Liberdade e Perfectibilidade

Qual a diferença fundamental entre os seres humanos e os bichos? O filósofo iluminista Jean-Jacques Rousseau acredita que o homem dispõe de duas faculdades naturais e originais que o distingue dos animais: a liberdade e a perfectibilidade. Ambas são propriedades distintivas e constitutivas dos seres humanos. Ou seja, não precisam ser adquiridas porque são inseparáveis dos homens. Além de serem inatas ao homem, elas também não precisam da atividade racional para serem reconhecidas. Basta o sentimento interior.

A primeira qualidade definidora que integra a natureza essencial do ser humano é a liberdade. Para Rousseau, o homem é dotado de uma capacidade de frear seus impulsos imediatos ou de iniciar uma ação deliberada em atenção ao bem futuro. Ao contrário dos animais que escolhem ou rejeitam por instinto, o homem tem o poder de decidir entre as alternativas possíveis. Enquanto que os animais são coagidos a seguir as regras prescritas pela natureza, o homem pode contrariar os ditames naturais porque a sua vontade é livre de constrangimentos externos. Sendo assim, embora sofra a influência das inclinações naturais, ele tem a prerrogativa de agir por finalidade, isto é, escolher voluntariamente em vista de fins.

Além da maleabilidade instintiva, os seres humanos são distintos das bestas feras em virtude da perfectibilidade – disposição natural para o aperfeiçoamento pessoal. Para Rousseau, a perfectibilidade pode ser traduzida como uma capacidade de adaptação desenvolvida pelas necessidades ou como uma potência de transformação efetivada pelas circunstâncias. Em contraposição aos animais que são naturalmente determinados, o homem pode aumentar o seu repertório de comportamentos e adquirir um estoque de conhecimentos. Fora o aprimoramento enquanto indivíduo, o ser humano pode também usar a faculdade da perfectibilidade para melhorar o seu ambiente.

Ora, como a liberdade e a perfectibilidade podem converter o ser humano em ente urbano? Apesar de Rousseau defender que o homem não é naturalmente sociável, ele pode estabelecer laços sociais na medida em que exerce as faculdades inatas da liberdade e da perfectibilidade. Sem a  liberdade, ele permaneceria escravo da tirania natural. Sujeito ao comando da natureza, ele seria obrigado a acatar irrestritamente os seus impulsos primitivos. Sem a perfectibilidade, ele permaneceria condicionado ao estado de natureza. Privado das luzes, viveria errante pelas florestas guiado somente pelo desejo de nutrição, de reprodução e de repouso e temendo apenas a dor porque ignora a morte.

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2 Responses to “Ser Humano: Liberdade e Perfectibilidade”


  1. setembro 16, 2010 às 11:54 am

    Eu entro diariamente no blog, até mais de uma vez ao dia. E gostaria de parabenizar pelo trabalho e também pelo texto acima que é fantástico.
    Explicou de uma forma acessível o pensamento de Rousseau, fez parecer simples.
    Parabéns.


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