Arquivo para setembro \30\-03:00 2010

30
set
10

Palanquismo Jornalístico

Qual é o papel da imprensa na cobertura eleitoral? Cobrir as campanhas com neutralidade ou apoiar candidaturas? Informar com imparcialidade ou publicar notícias tendenciosas e enviesadas? Nunca a imprensa foi tão partidarista como nestas eleições. Em vez de adotar uma postura isenta e imparcial, as oligarguias midiáticas assumiram o papel  reacionário e panfletário de cabos eleitorais. Fabricaram factóides, redigiram editoriais bombásticos, produziram matérias venenosas, manipularam pesquisas, distorceram informações, inventaram escândalos e acusaram sem provas. Cadê a apuração dos fatos? Cadê a pluralidade de opiniões? Cadê a diversidade de versões? Cadê o relato neutro? Enquanto o monopólio da informação permanecer nas mãos das famílias Frias, Mesquita, Civita e Marinho, sempre haverá uma imprensa golpista e denuncista que blinda a direita e ataca a esquerda.

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set
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28
set
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27
set
10

Ser Humano: Desejo

Viver é desejar; desejar é viver. Enquanto vivemos, desejamos. Enquanto desejamos, vivemos. Cessar de desejar implica em cessar de viver: morte. Ora, a existência pode ser concebida como um esforço perpétuo de viver. Uma vez que todos preferem viver a morrer, cada ser esforça-se para perserverar no seu ser. Este princípio natural de autoconservação é chamado por Baruch Espinosa de conatus.

O que é o conatus? O termo conatus vem do latim e significa esforço. Segundo Espinosa, este esforço é um impulso de autopreservação, um instinto de autoconservação, uma pulsão de autoperserveração na existência ou uma tendência duradoura de viver. Em resumo, conatus é uma potência permanente de existir, resistir e agir.

Para Espinosa, todo ser humano é dotado de conatus – potência interna de autopreservação. Este esforço perene para permanecer na existência constitui a essência da humanidade. Esta essência varia segundo a intensidade da nossa capacidade de autoperseveração. Quando os nossos desejos são realizados, a potência do nosso conatus aumenta. Quando os nossos desejos são frustrados, a força do nosso conatus diminui.

Enquanto conatus, Espinosa afirma que somos essencialmente desejo. Ora, desejo é potência e não carência. Ele é a força que nos move e nos comove. Não existe desejo que não seja ativo nem ato que não seja desejado. Desse modo, andamos porque desejamos caminhar; paramos porque desejamos descansar; comemos porque desejamos nos alimentar; bebemos porque desejamos nos refrescar; durmimos porque desejamos repousar; vivemos porque desejamos existir. O que isso significa? Isso significa que jamais começamos uma ação sem desejá-la. Sem o desejo, não haveria ação.

Com efeito, a originalidade do pensamento de Espinosa reside em afirmar que o princípio constitutivo do homem é o desejo e não a razão. Em vez de ser originalmente uma substância pensante , o homem é um ser primordialmente desejante. Assim, Espinosa não concebe o desejo como uma fonte do mal, uma paixão perversa ou uma pertubação na alma. Ele argumenta que o desejo é o motor subjacente ao homem.

26
set
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25
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24
set
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apichatpong weerasethakul

Nascido em Bangkok em 1970, ele é um realizador (diretor de cinema) do cinema independente tailandês. Criado em Khon Kaen, no nordeste da Tailândia, é licenciado em arquitetura pela Universidade de Khon Kaen e obteve um mestrado em Belas Artes na School of the Art Institute de Chicago. Em 1999 fundou Kick the Machine, uma companhia que se dedica ao fomento do cinema experimental e independente.

fonte: wikipedia

23
set
10

Ser Humano: Piedade

Além do desejo inato de conservação, Rousseau afirma que o homem carrega também uma virtude natural que o torna um ser compassivo e sensível. Trata-se da piedade que consiste na repugnância inata de ver sofrer ou perecer o seu semelhante. Este impulso interior de comiseração é fundamental no processo de socialização na medida em que produz um movimento natural de empatia com a dor do semelhante. Ou seja, a piedade gera sociabilidade porque exige que o homem considere a desgraça alheia.

Para Rousseau, a piedade é um sentimento natural que concorre para a preservação da humanidade na medida em que estabelece um limite ao amor de si. Ao moderar a disposição inata de conservação, a piedade garante que a espécie humana não seja formada unicamente para a destruição. Isto é, uma vez que o homem é originalmente indulgente, ele naturalmente prestará socorro quando presenciar um semelhante em perigo. Ora, para que haja comoção com o infortúnio do seu semelhante, é preciso que o homem esqueça o seu ser para assumir o ser do seu semelhante. E para que haja identificação com a desventura do seu semelhante, ele deve abandonar o amor de si. Sem deixar o amor de si, ele não pode colocar-se no lugar daquele que sofre.

Em cima disso, Rousseau afirma que a piedade é um princípio natural que precede a reflexão. Trata-se de uma paixão primitiva que é anterior ao pensamento. Ou seja, ela não depende da atividade racional para ser efetivada. Ora, o homem natural não precisa recorrer ao exercício intelectual para auxiliar um semelhante em aflição. A sua solidariedade com a dor do seu semelhante é fruto de um impulso natural e não de uma especulação abstrata. Isso significa que a piedade está inscrita na esfera biológica. Ela pertence aos homens enquanto seres dos sentidos e não como seres racionais.

Com isso, Rousseau demonstra que a indiferença provém do estado de raciocíno. Ela é produto da deliberação. Basta que o homem pondere sobre as alternativas possíveis para que a inclinação natural da comiseração ceda lugar ao descaso. Em vez de entregar-se ao impulso original da compaixão como o homem natural, o homem socializado prefere contemplar impavidamente a degola do seu semelhante sob a sua janela. Logo, podemos concluir que a indiferença nasce do esforço civilizatório cujo efeito é o apagamento da sensibilidade originária.

Por fim, Rousseau enaltece a piedade como a base constitutiva de todas as virtudes sociais. Ora, o que é a generosidade senão a piedade aplicada aos oprimidos, a clemência senão a piedade aplicada aos culpados e a humanidade senão a piedade aplicada à espécie humana? Por suavizar a ação do amor de si, a piedade ocupa o lugar das leis, dos costumes e da virtude no estado de natureza. Além disso, ao promover a noção de semelhança em relação aos demais seres humanos, a piedade permite que o homem saia de si mesmo para atender as necessidades daquele que padece.

22
set
10

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21
set
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Ser Humano: Amor de Si

Rousseau não atribuiu ao homem apenas as faculdades inatas da liberdade e da perfectibilidade. Ao considerar as operações primitivas da alma humana, ele encontrou dois princípios naturais anteriores à razão: o instinto de conservação que prende o homem a si mesmo e a piedade que prende o homem ao outro. O instinto de conservação é pautado pelo amor de si. Trata-se de um sentimento natural que impele o homem a preservar a sua própria vida e a assegurar o seu próprio bem-estar. Ou seja, o amor de si é uma paixão primitiva que tem por função o zelo pela própria existência através da busca de condições de subsistência.

Segundo Rousseau, não existe perversidade original no coração humano. No estado de natureza, o homem é isento de vícios – as depravações decorrem dos conflitos de interesse do contexto social. A única paixão natural ao homem é o amor de si que garante a manutenção da vida. Este impulso inato responsável pelos cuidados relativos à sobrevivência fica saciado quando as necessidades básicas são satisfeitas. Ademais, ao contrário de Hobbes que acentua que o instinto de conservação implica na guerra de todos contra todos, Rousseau alega que o homem natural não precisa lutar com os seus semelhantes para defender a sua vida. Ao invés da ferocidade natural, ele preserva a sua vida sem prejudicar os outros.

Uma vez que o amor de si é intrinsecamente bom, Rousseau afirma que ele é a fonte natural de todas as virtudes. As paixões primitivas que são amáveis e doces por essência derivam do amor de si. Não obstante, a convivência social acaba deturpando o amor de si. Com o surgimento da sociedade, o homem passa a centralizar o seu eu individual nas relações sociais. Motivado pelo desejo doentio de honra e distinção, ele acolhe como uma ofensa todo ato que não prefere ou privilegia a sua pessoa. 

Assim, o ingresso do homem na vida civil perverte o amor de si em amor-próprio que consiste no desejo agressivo de controlar os outros. Por causa do amor-próprio, o homem tomado pela vaidade passa a reivindicar superioridade sobre o outro, a exercer um poder arbitrário sobre o outro, a impor submissão ao outro e a desejar a ignomínia do outro. Ao atribuir extrema importância ao seu ego, o homem da sociedade acaba subestimando e depreciando os outros em comparação à sua própria pessoa. Movido pelo orgulho do amor-próprio cuja fruição é puramente negativa, ele não procura a sua satisfação para o seu próprio bem, mas para o mal dos outros.