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Tempo em Aristóteles

Segundo Aristóteles, o tempo é “o número de um movimento segundo o antes e o depois” (Física 219 b1-2). Embora o tempo não seja o movimento, ele afirma que o tempo “é o movimento enquanto possui um número” (Física 219 b3). Como número, o tempo é o número numerado e não o número numerante. Enquanto que o número numerante é o número abstrato, o número numerado é o número concreto. Enquanto que o número numerante é aquele que conta, o número numerado é aquele que é contado. Enquanto que o número numerante designa apenas a quantidade (dez); o número numerado designa a quantidade e a natureza dos entes numerados (dez cavalos). Assim, o tempo é o número numerado porque é o número (quantidade) do movimento (natureza).

Tendo em vista que o tempo é o movimento numerado segundo o anterior-posterior, Aristóteles afirma que o tempo é o número do movimento considerado absolutamente e não especificamente. Neste caso, o tempo é o número do movimento absoluto. Ou seja, o tempo enquanto movimento numerado compreende todos os diversos movimentos que ocorrem segundo categorias determinadas: substância (geração e corrupção), quantidade (crescimento), qualidade (alteração) e lugar (movimento local).

Partindo do pressuposto que o tempo é o anterior-posterior numerado de um movimento, Aristóteles afirma que o anterior-posterior é a causa do número que é o tempo. Ou seja, o anterior-posterior é o príncipio do tempo – o fundamento que possibilita que um movimento seja atribuído ao número. Para Aristóteles, o anterior-posterior é expresso no âmbito temporal através de dois agoras – um agora anterior e um agora posterior. Na dimensão temporal, o anterior-posterior só podem ser concebidos segundo a distância em relação ao agora. No passado, o anterior é o mais distante do agora e o posterior é o mais próximo. No futuro, o anterior é o mais próximo do agora e o posterior é o mais distante.

Por conseguinte, Aristóteles demonstra que o agora é a referência temporal que vincula o anterior e o posterior. Ele funciona como intermédio cronológio entre os extremos opostos – anterior e posterior. Situado entre o anterior e o posterior, o agora é o intervalo de tempo que delimita o anterior-posterior. Sendo o limite que conecta incessantemente o anterior e o posterior, o agora permite a determinação dos dois agoras (anterior e posterior) em uma série numérica. Ou seja, a ordenação numérica do anterior-posterior no movimento depende da mediação do agora definido por Aristóteles como “o anterior-posterior enquanto numerável” (Física 219 b25).

Para saber mais:

PUENTE, F. R. Os Sentidos do Tempo em Aristóteles. São Paulo: Loyola, 2001.

BRAGUE, R. O Tempo em Platão e Aristóteles. São Paulo: Loyola, 2006.

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1 Response to “Tempo em Aristóteles”


  1. março 22, 2012 às 2:23 pm

    gostei do que você escreveu e concordo com algumas coisas.
    ta ótimo parabéns.


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