Arquivo para fevereiro \28\UTC 2010

28
fev
10

Não temos tempo a perder…

Legião Urbana – Tempo Perdido

28
fev
10

O Tempo Linear e o Tempo Cíclico

A perspectiva linear de tempo nasceu com a tradição judaico-cristã. O tempo linear é uma sucessão contínua de eventos irrepetíveis e irreversíveis. O seu movimento é retilíneo – reta ininterrupta de registros históricos singulares. Sendo uma linha, o tempo linear é finito. A sua trajetória é circunscrita por uma linha histórica determinada – tem começo e fim. Como traço histórico perpétuo, o tempo linear é uma série evolutiva de fatos históricos inéditos. Trata-se do curso progressivo de acontecimentos únicos em direção ao futuro. Por fim, o tempo linear é dotado de significado. O seu desdobramento de momentos inalteráveis é orientado por um propósito final (télos). Ou seja, todos os eventos possuem sentido na medida em que ocorrem em vista de uma finalidade última.

Em contraposição ao conceito temporal linear, os gregos primitivos propunham uma idéia cíclica de tempo. Sem começo nem fim, o tempo cíclico é um eterno retorno. Uma vez que nenhum evento é absoluto, o tempo cíclico repousa na permanente seqüência de ciclos repetitivos. O seu movimento circular contínuo é caracterizado pelo perpétuo retorno de momentos. Isso significa que a história não comporta nenhum fato singular. Pelo contrário, a história é marcada pela reedição de acontecimentos passados. Portanto, o tempo para os gregos antigos não passa de um círculo inexorável – sem saída e sem fim. Tudo está condenado a girar eternamente na roda da história.

27
fev
10

Kimio Tsuchiya

Kimio Tsuchiya, born 1955 at Fukui, Japan.

 http://www.kimio-tsuchiya.com/

26
fev
10

O Tempo em Platão

Platão argumenta que o tempo (chrónos) “é a imagem móvel da eternidade (aión) movida segundo o número” (Timeu, 37d).  Partindo do dualismo entre mundo inteligível e mundo sensível, Platão concebe o tempo como uma aparência mutável e perecível de uma essência imutável e imperecível – eternidade. Enquanto que o tempo (chrónos) é a esfera tangível móbil, a eternidade (aión) é a esfera intangível imóbil. Sendo uma ordem mensurável em movimento, o tempo está em permamente alteridade. O seu domínio é caracterizado pelo devir contínuo dos fenômenos em ininterrupta mudança.

Posto que o tempo (chrónos) é uma imagem, ele não passa de uma imitação (mímesis) da eternidade (aión). Ou seja, o tempo é uma cópia imperfeita de um modelo perfeito – eternidade. Isso significa que o tempo é uma mera sombra da eternidade. Considerando que somente a região imaterial das formas puras existe em si e por si, podemos dizer que o tempo platônico é uma ilusão. Ele é real apenas na medida em que participa do ser da eternidade.

Para saber mais:

BRAGUE, R. O Tempo em Platão e Aristóteles. São Paulo: Loyola, 2006.

25
fev
10

O Tempo Segundo O Profeta

O Profeta (1923) foi uma obra-prima lançada em Nova Iorque pelo poeta árabe Khalil Gibran. Trata-se de um guia espiritual que concilia a mentalidade lírica e mística do mundo oriental com a mentalidade racional e pragmática do mundo ocidental. Partindo de uma linguagem pastoril acompanhada de cenários bucólicos e metáforas campestres, Gibran debate temas universais através da beleza do simbolismo. Acerca do tempo, ele acredita que é um fluxo contínuo indivisível e insondável. Segue um trecho da alegoria:

E um astrônomo disse: Mestre! O que é o Tempo?
E ele respondeu:
Gostaria de medir o tempo que é o ilimitado e o incomensurável.
Gostaria de ajustar o seu comportamento e reger o curso de sua alma de acordo com as horas e as estações.
Gostaria de converter o tempo em um rio para observar o correr das águas sentando na margem.
Contudo, assim como o tempo escapa da vida, a vida também escapa do tempo.
Saiba que o ontem é apenas a recordação de hoje e o amanhã é apenas o sonho de hoje.
Saiba que aquilo que canta e medita em você continua a morar dentro daquele primeiro momento em que as estrelas foram semeadas no espaço.

GIBRAN, K. O Profeta. Rio de Janeiro: ACIGI, 1976.

25
fev
10

daniel bernardinelli

a verdade é: tinha tanta coisa bacana q eu não consegui decidir…
por isso posto algumas e insisto para que visitem o flickr dele.

além do trabalho com neon, tem as fotos de banda, de graffiti – mta coisa boa!

http://www.flickr.com/photos/bernardinelli

24
fev
10

Para pensar:

Será que existe um limite aceitável para a tecnologia aprimorar as nossas habilidades naturais?

Será que uma nova espécie de ser humano representaria uma evolução nas nossas capacidades naturais?

Será que é justificável manipular e/ou deturpar a biografia de uma pessoa para torná-la agradável?

Será que o ato de “maquear” a história de uma pessoa poderá eliminar as suas transgressões e perversões?

Será que o conhecimento da Rememória não acabaria condicionando os comportamentos de uma pessoa?

por Rafael Divino
em http://capacidadereflexivaoperante.wordpress.com