13
dez
09

novo estágio da civilização

A “utopia” formulada por Marcuse em Eros e Civilização, a possibilidade de um desenvolvimento não-repressivo das pulsões, é fundamentada na transformação social. Entretanto, não basta apenas a preocupação com a base infraestrutural desta transformação sócio-econômica – não basta uma reorganização das forças produtivas, tal como realizada pelo marxismo soviético.9 A novidade no seu pensamento social é que ele rompe com um determinado marxismo ortodoxo ao introduzir a preocupação com a base humana do desenvolvimento do capitalismo para o comunismo. Sem esta transformação subjetiva, na cultura, nos padrões de comportamento, na relação entre os indivíduos e entre esses e seu meio, a sociedade realmente “comunista” é impensável.

Ao propor a crítica à racionalidade dominante, à razão enquanto Logos de dominação, Marcuse propõe a “refundação” e a “reformulação” da idéia de razão e não sua eliminação: é uma determinada organização política e econômica que impede o desenvolvimento da razão em todas as suas potencialidades e não a razão per se. A razão aberta à sensibilidade e a sensibilidade aberta à razão levariam a um novo estágio da civilização, essencialmente oposto ao atual, no qual as pulsões poderiam seguir um curso não-repressivo e, nesse processo, sustentariam a vida ao invés de destruí-la.

por Marilia Mello Pisani
em UTOPIA E PSICANÁLISE EM HERBERT MARCUSE

Anúncios

0 Responses to “novo estágio da civilização”



  1. Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s



%d blogueiros gostam disto: