12
abr
08

conversas

Não vivemos a princípio na consciência de nós mesmos – nem mesmo, aliás, na consciência das coisas – mas na experiência do outro.

Nosso contato conosco sempre se faz por meio de uma cultura, pelo menos por meio de uma linguagem que recebemos de fora e que nos orienta para o conhecimento de nós mesmos, o espírito, sem instrumentos e sem história, se é de fato como uma instância crítica que opomos à intrusão pura e simples das idéias que nos são sugeridas pelo meio, só se realiza, em liberdade de fato, por meio da linguagem e participando da vida do mundo.

A humanidade não é uma soma de indivíduos, uma comunidade de pensadores em que cada um, em sua solidão, obtém antecipadamente a certeza de se entender com os outros, porque eles participariam todos da mesma essência pensante. Tampouco é, evidentemente, um único Ser ao qual a pluralidade dos indivíduos estaria fundida e estaria destinada a se incorporar. Ela esta por princípio, em situação instável: cada um só pode acreditar no que reconhece interiormente como verdade – e, ao mesmo tempo, cada um só pensa e decide depois de já estar preso em certas relações com o outro, que orientam preferencialmente para determinado tipo de opiniões. (pag 48 a 50)

Merleau-Ponty – Conversas – 1948

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