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mar
08

topografia do lugar

Nessa era da informação multi-midiática as fronteiras da cidade ultrapassam os limites territoriais físicos. Com o rompimento da imagem tradicional urbana e com a visão equivocada da cidade como espetáculo, nossa percepção e apropriação dos espaços vividos nos faz reconstruir a topografia do lugar, levando-nos a novas maneiras de frequentação do entorno, estas com alteração do tempo, supressão de distâncias e recriação das imagens do território (este lugar de desavenças, conflitos e disputas).
As pessoas que dão vida a cidade, como células a um organismo, estam cada vez mais voltados ao imediato. Esquecem-se da relação de espelho entre cidade-e-cidadão.
Pouco se faz mto se acumula.

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1 Response to “topografia do lugar”


  1. 1 Santiago
    abril 5, 2008 às 7:31 am

    invasões bárbaras

    “xxxxxxx em São Bernardo do Campo,apresenta mais de 40 OPÇÕES DE LAZER em seus 40.000m2.Possui um COMPLEXO AQUÁTICO com 5.000m2.O Terreno do condomínio XXXX tem mais de 40.000m 2,7 torres com segurança e PRIVACIDADE.Um amplo paisagismo ocupa 70% do terreno.Os apartamentos são de 123M2 e 156M2, com opções para 3 ou 4 dormitórios.

    A CASA DE SEUS SONHOS NUM CONDOMÍNIO FECHADO… BEM PERTINHO DE TUDO!

    Linda residência de alto padráo com 600 m2 de área construída, rodeada por 4.000 m2 de BELISSIMO JARDIM COM LAGO com carpas e cachoeira, quiosque, poço artesiano com capacidade para 27.000 litros, aquecimento solar e elétrico, num condominio fechado em São José dos Campos, a apenas 84 km da CAPITAL.

    Sala para 3 ambientes, 3 suites com tábua corrida e armários, escritório com armários, sala de chá, copa com despensa, cozinha planejada, adega, ampla varanda, piscina com cascata, sauna, garagem coberta para 4 carros, segurança total e discreta.”
    ——————————–
    “Nobres viviam em castelo, enquanto os servos se espremiam numa vila para até 60 famílias
    Geralmente, o forno era construído fora do castelo, para evitar incêndios. Era uma instalação grande, de pedra e tijolos, onde enormes espetos de ferro permitiam assar até mesmo um boi inteiro. Ao seu lado podiam existir prensas para produzir vinho, azeite ou farinha. Os servos pagavam uma taxa para usar essas instalações.
    Além de fornecer madeira para lenha e construções, o bosque era usado para caçadas. A princípio, essa era uma área comum, embora os animais maiores só pudessem ser abatidos pelo senhor feudal. Aos servos restavam os coelhos e esquilos. A colheita de frutas silvestres, castanhas e mel era livre, mas muitos evitavam entrar nos bosques, temendo o ataque de bruxas e figuras maléficas
    Na forma de um castelo ou simplesmente de um casarão de pedra, a residência senhorial abrigava o senhor feudal, sua família, seus empregados e encarregados da administração da propriedade.
    Em épocas de conflito, também servia de quartel para suas tropas. Os senhores mais abonados tinham várias casas espalhadas ao longo das suas terras — alguns chegavam a ter centenas delas” – origem http://mundoestranho.abril.com.br/edicoes/32/historia/conteudo_mundo_50644.shtml
    ———————————–
    O tempo histórico não é uma unidade linear, não é o cavalo que leva a carruagem da evolução, antes de nos depararmos com essa palavra “evolução” – que por muitas vezes encobriu posturas inconseqüentes da humanidade, tentando justificar práticas absurdas de exploração (do homem e dos recursos naturais) – precisamos apoiar o queixo na mão esquerda espalmada e refletir, tal como “O Pensador” de Rodin, e refletir: “se aceito que é possível evoluir para um outro patamar de condições é preciso aceitar que haja um modelo que determine o objetivo final dessa escalada, ante todo relativismo ético e moral (religioso) qualquer boto-cor-de-rosa pode perceber que não existe um modelo seguro, prático e coerente a ser adotado como esse objetivo onde deveríamos chegar.
    Não evoluímos, não existe o processo de evoluir, esses modelos para onde deveríamos objetivar nossos passos já caíram por terra, Nietzsche já quebrou os ídolos com seu martelo, e mesmo que os ideais de justiça, beleza e verdade possam ser entendidos pela razão como possuidores de uma essência natural, esses modelos não aparentam semelhantes ao que seria da sua essência, e como vivemos num mundo de aparências, o que realmente é levado em consideração é a forma como esses valores se apresentam; essas aparências são construídas pela imposição de valores da classe dominante: justiça é a vontade do mais forte ($$$), belo é o que a tv apresenta como sendo belo e verdade é produzida pela capacidade de organizar bem as proposições.Mas para denominar esse fenômeno que ocorre na dimensão da causalidade (já que não podemos falar mais de tempo) precisamos perceber que apenas mudamos de um estado para outro e que isso não necessariamente significa uma melhora, porque não temos o modelo sobre o qual possamos compará-lo ao nosso estado. O tempo histórico é o conjunto de mudanças apenas, as mudanças tecnológicas que aproximam as pessoas, por exemplo, virtualiza o afeto e atrofia a expressão corporal, que desenvolvemos no convívio presencial com os outros, a mudança no transporte nos possibilita uma locomoção jamais concebida pelo homem do secXVII, mas destrói irreversivelmente os elementos que propiciam vida no planeta devido a falta de planejamento que leve em consideração a fragilidade desses elementos (ar,água,terra,etc) a publicidade que antes servia apenas para apresentar o produto e suas características funcionais, em decorrência das mudanças – ufa, quase escrevi evolução – induzem ao consumo inconseqüente porque servem agora para agregar à marca da empresa estilos de vida que façam o produto que está sendo anunciado ser o fim e o começo do ciclo vicioso que é o estilo de vida vendido pela marca, cigarros, bebidas, carros, celulares…
    Somos capazes de dividir o átomo, abrimos a caixa de Pandora, mas ainda somos incapazes de gentileza, fazemos transações econômicas com Dubai pelo celular, mas não somos capazes de olhar um cobrador de ônibus nos olhos e desejar sinceramente que ele tenha um bom dia, instalamos satélites no espaço com nanotecnologia, mas ainda temos vergonha de assumir nossa indiferença ante o sofrimento alheio quando realmente não estamos nem aí, operamos ainda com valores cristãos que negam a vida, calculamos a justiça sob o imperativo categórico kantiano, nosso senso-comum não se identifica com os outros…ainda somos românticos.
    O tempo histórico não transcorre igualmente em todos os lugares, vc já esteve em Cambé no Paraná? Bombinhas (onde rola a Farra do Boi) em Santa Catarina? Ribeirão Pires aqui próximo a Santo André? Eu já estive no “prédio do robocop”-Pinheiros- e no instituto Tommie Otake, e a observação que é inevitável fazer é que esses prédios não existem no mesmo tempo que essas primeiras cidades que mencionei, ainda que o ano seja 2008.
    O que torna algo “parado no tempo” está contido na própria expressão, aquilo que não se pôs ou não foi posto em movimento fica estacionado nessa dimensão das causalidades e se restringe a rotina operacional de sua relação de autosustentabilidade.O lugar e as pessoas que são postas em movimento ou impõe movimento, e portanto dão continuidade a um processo de mudança, criam sua própria temporalidade, por isso chamamos de cenário essas bolhas temporais , porque destoam de outras temporalidades apesar de alguma forma serem interdependentes ou fazerem parte de uma grande rede de relações. Perguntar qual é o tempo vigente é como querer saber qual é a música da moda, o livro da moda, o remédio da moda… a música de quê estilo? Livro de romance, ficção, auto-ajuda, auto-destruição? Para que doença, de que tarja? Não existe tempo vigente, pode-se alegar que o tempo histórico vigente é feito de pessoas que compreendem que a sexualidade é uma questão de situação e por isso vêem a homossexualidade com naturalidade, que é feito das pessoas que entendem as mulheres diferentes dos homens e por isso devem ter suas característica singulares respeitadas por lei, que trabalho infantil é crime, que ficar atraído por menores é crime, que aborto deve ser descriminalizado, que as drogas devem ser liberadas, que sexo em público deve ser liberado depois das 8 da noite contanto que não se faça muito barulho…caso seja essa a descrição do tempo histórico vigente a única cidade no mundo atualizada no que antes se poderia chamar de tempo é Amsterdam. Mas o que faz existirem cenários é justamente o fenômeno de muitos não quererem para si os valores de Amsterdam, de Bombinhas, de Cambe, de São Paulo, da Bahia, do Xingu, da Universal, da Luterana, do Madame Satã, do risca-faca, do Foucault, do pai, da mãe, de si.E aí então formamos os cenários, político, musical, artístico, intelectual, industrial e por conseqüência os bárbaros (aquele que não fala a mesma língua, que balbucia).
    Os condomínios fechados são um cenário desses que estaciona na dimensão das causalidades, porque perde contato com os outros cenários de forma muito definitiva, inclusive com cenários que influenciam outros menos gerais e por isso são indispensáveis: o político por exemplo. Em um condomínio fechado um menor de idade não pode ser multado pela policia rodoviária dirigindo um carro a menos que essa implicação esteja no regimento interno do condomínio, um morador pode ser multado por não realizar coleta seletiva ainda que isso não seja uma lei civil mas conste no regulamento interno do condomínio, o convívio entre os moradores é feito numa escala de padronização regulamentada não pelas leis civis –ainda que roubar e matar sejam crimes e que essa lei vale para todos – mas pelas leis estabelecidas dentro do próprio condomínio. Há, no condomínio fechado, ainda, uma determinante estética que padroniza os rostos, as peles, as raças, as crenças, a classe econômica; podemos pensar numa estética da pobreza e da riqueza, como não? Pense num pobre, que roupas veste, que cara ele tem? Que olhar ele tem? Como são suas mãos sujas de graxa e engrossadas pela metalurgia, seu pescoço vermelho da cachaça matinal usada pra aliviar a alienação da rotina de 20 anos sem esperança de ter o carro da novela, a mulher do camisa 10, a casa do cantor de chapéu e fivela dourada, que cheiro ele tem? A tolerância surge apenas da compreensão, quanto mais profundamente conhecemos, mais tolerante somos, sabemos como e porque alguém compõe esse ou aquele cenário, sabemos da rede de relações que envolvem o cenário em que estou e o do outro.Mas quando é feito um corte padronizador na sociedade (essa colcha de retalhos de cenários) e os distanciamos definitivamente do resto, dos que estão à margem, essa capacidade de tolerância diminui, porque a compreensão feita do convívio inevitável com outros cenários não é realizada, ou se é, é de maneira muito superficial e restrita.


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