Arquivo para a categoria 'filosofia'

01
Nov
09

papel de domação das contingências

A industrialização e a técnica, determinando violentas modificações no ambiente humano, a divisão da sociedade em classes, a falta de integridade orgânica da cultura, a ausência de uma  concepção-do-mundo, tudo isso que Hegel caracterizou como sendo o prosaísmo do nosso tempo, e que afetou nossa experiência das coisas, teria, como ingrediente da situação humana,  que refletir-se na direção do impulso artístico. A Arte, como atividade produtiva, formadora, não se marginalizou com o processo acelerado da civilização técnico-industrial e não se limitou apenas a refletir passivamente as transformações operadas na situação do homem no mundo, em decorrência desse processo. A vontade artística, plasmadora, com a liberdade que conquistou, exerce em relação ao universo extremamente mutável em que vivemos, o papel de domação das contingências, papel esse que o Belo, segundo Heidegger, teria desempenhado entre os gregos, e que é, em última análise, a função criadora emprestada por Schiller ao impulso lúdico.

NUNES, Benedito Nunes. Introdução à filosofia da arte. 5 ed. Pará: Ática, 2005.

30
Out
09

fruição da obra de arte

Pensar a fruição nos permite creditar ao homem a possibilidade de articular artisticamente novas formas de realidade viva e de se reinventar com elas.

19
Out
09

do padrão do gosto

A mesma excelência das faculdades que contribui para o aperfeiçoamento da razão, a mesma clareza da concepção, a mesma exatidão nas distinções, a mesma vivacidade de compreensão são essenciais para as operações do autêntico gosto, e são seus inevitáveis acompanhantes. (DAVID HUME,  Os Pensadores, 1980, p.325)

30
Set
09

Kant em Foucault

O importante da revolução é “a simpatia de aspiração que beira o entusiasmo”, esse é o signo do acontecimento!

O que é significativo é a maneira pela qual a revolução se faz espetáculo, é a maneira pela qual ela é acolhida pelos espectadores que não participam dela, mas que olham, que assistem e que, ou bem ou mal, se deixam arrastar por ele.

revolucao francesa

26
Set
09

Herbert Marcuse

A sociedade unidimensional em desenvolvimento altera a relação entre o racional e o irracional. Contrastado com os aspectos fantásticos e insanos de sua irracionalidade, o reino do irracional se torna o lar do realmente racional, das idéias que podem promover a arte da vida (MARCUSE, 1973, p.227).

Um homem, que viaje de carro a um lugar distante, escolhe a rota de sua viagem num guia de estradas. Cidades, lagos e montanhas aparecem como obstáculos a serem ultrapassados. O campo é delineado e organizado pela estrada: o que se encontra no percurso é um subproduto ou anexo da estrada. Vários sinais e placas dizem ao viajante o que fazer e pensar. Espaços convenientes para estacionar foram construídos onde as mais amplas e surpreendentes vistas se desenrolam. Painéis gigantes lhe dizem onde parar e encontrar a pausa revigorante. A rota é feita para o benefício, segurança e conforto do homem. E a obediência às instruções representa o único meio de se obter resultados desejados (MARCUSE, 1998, p.79).

Os meios de transporte e comunicação em massa, as mercadorias, casa, alimento, roupa, a produção irresistível da indústria de diversão e informação, trazem consigo atitudes e hábitos prescritos, certas reações intelectuais e emocionais, que prendem os consumidores aos produtos. Os produtos doutrinam, manipulam, promovem uma falsa consciência. Estando tais produtos à disposição de maior número de indivíduos e classes sociais, a doutrinação deixa de ser publicidade para tornar-se um estilo de vida (MARCUSE, 1982, p.31 e 32).

Com o crescimento da conquista tecnológica da natureza, cresce a conquista do homem pelo homem. E essa conquista reduz a liberdade, que é um a priori necessário da libertação. Isso é liberdade de pensamento no único sentido em que o pensamento pode ser livre no mundo administrado, como a consciência de sua produtividade repressiva e como a necessidade absoluta de romper para fora desse todo (MARCUSE, 1973, p. 232).

É a vida deles que está em jogo e, se não a deles, pelo menos, a saúde mental e capacidade de funcionamento como seres humanos livres de mutilações. O protesto do jovem continuará porque é uma necessidade biológica. Por natureza, a juventude está na primeira linha dos que vivem e lutam contra uma civilização que se esforça para encurtar o atalho para a morte (MARCUSE, 1978, p. 23).

MARCUSE, Herbert. A Ideologia da Sociedade Industrial. 5ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1979.
_________________Idéias sobre uma teoria crítica da sociedade. 2ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1981.
_________________Eros e Civilização. 8ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978.
_________________Contra revolução e revolta. Rio de Janeiro: Zahar, 1981.
_________________Tecnologia, Guerra e Fascismo. São Paulo: Unesp, 1998.

23
Set
09

shaftesbury

shaftesburyO povo não é, a bem da verdade, um partido menor nessa causa. Nada se move sem ele. Só há poder público onde ele está incluído. E, sem uma voz pública sabiamente guiada e dirigida, não há nada que possa despertar no artista uma verdadeira ambição ou incitar o seu gênio para que ele aspire a uma fama duradoura, à aclamação de seu país e da posteridade. Pois, como homem livre, o artista é membro natural de seu país, e seu apaixonado interesse se deve ao mesmo gênio de liberdade, ao mesmo governo e leis que lhe garantem a sua propriedade e os dividendos de sua diligência e indústria.

Anthony Ashley Cooper, Conde de Saftesbury.

A linguagem das formas. A natureza e a arte em Shaftesbury.
Pedro Paulo Garrido Pimenta

18
Set
09

Do emaranhado das coisas e da nossa posição

Com os filósofos da Escola de Frankfurt fica explícito o sistema circular do capitalismo, o conceito de que não existe progresso neutro e o possível fim trágico q o mundo pode ter…

Com a crise econômica ficou nítico q o trabalho, no sentido de marx, não gera quase renda, q existe um “organismo” automato q mantem esse vício e essa estrutura do dinheiro.

A pergunta é: se o nosso ato de comprar mantem o esquema corporativo-capitalisma funcionando, por que nos apegamos tanto as banalidades trazidas pela tecnologia?
Perdemos a dimensão do todo? Ou o foco do que realmente importa? Ou nos deixamos acomodar?

Pra mim, fica a questão: o q vc não comprou hj?

consumismo

26
Jun
09

Apanhados sobre a estética da recepção – Jauss

O prazer estético, tem um forte caráter comunicativo e engloba aspectos sentimentais e racionais. A comunicação é, nessa esfera, um elemento importante na experiência do mundo como condição da compreensão do sentido.

Segundo Jauss “A experiência primária de uma obra de arte realiza-se na sintonia com seu efeito estético, i.e., na compreensão fruidora e na fruição compreensiva“.

A experiência estética pelo viés da receptividade se distingue da produtividade como “aceitação em liberdade“.

Hans Robert Jauss
A Literatura e o leitor. Textos de estética da recepção.
trad. Luiz Costa Lima.